Matéria veiculada no jornal A TARDE, no dia 27/05/2008.
DANILO FRAGA (dfraga@grupoatarde.com.br)
Não é nostalgia. A Macaco Bambo lança – hoje, às 21h, no Teatro SESI [Rio Vermelho] – um disco que faz lembrar como o rock brasileiro da década de 70 é bom. Nada de Gil ou Rita Lee; rock mesmo. A cena que era formada por bandas como Som Imaginário e O Terço e que “desapareceu” sem deixar muito vestígio. “A idéia é resgatar o rock psicodélico brasileiro dos anos 60 e 70, ótimos trabalhos que não são divulgados”, diz Sandro Andrade, 31, pianista da Macaco Bambo.
O disco, que também pode ser ouvido no website da banda (http://macacobambo.wordpress.com), remete a essa cena, mas também tenta atualizá-la. “O som é moderno porque viemos dos mais diversos lugares: da MPB, jazz e rock”, arrisca Sandro.
Além de suas próprias músicas, no show de hoje, a Macaco Bambo toca releituras do melhor disco de Erasmo Carlos [É Preciso Dar um Jeito Meu Amigo e Dois Animais na Selva Suja da Rua], de Tim Maia do Racional [Bom Senso e Guiné Bissau, Moçambique e Angola], além do obrigatório Raul Seixas [a não tão batida Tapa na Cara].

DÉCADA PERDIDA – Os Mutantes são só a ponta da iceberg. Entre a decadência da Jovem Guarda e os grupos dos anos 80, centenas de bandas testaram os limites entre a MPB e o rock psicodélico. O rock rural de Sá, Rodrix e Guarabira, o samba rock e o progressivo. Muitos dos discos, inéditos em CD, estão na rede [brnuggets.blogspot.com].
“O visual, o som, tudo isso era um espanto para a época, uma coisa ligada à imagem de rebelde. Hoje em dia, o apelo ainda continua”, arrisca Neri Góes, 25, baixista da banda. Mas, se o som é tão bom, por que ele foi deixado de lado ?
Numa época pós-tropicalista em que a MPB flertava com o rock [Gil, Caetano, Zé Ramalho e até Elis Regina], os roqueiros pareciam rebeldes sem causa, experimentais demais. Numa crítica de 1972, Ana Maria Bahiana descrevia: “Os grupos do circuito alternativo tocam música com pouca variação e qualidade escassa, muito rock mal digerido, às vezes copiado, às vezes fundido hesitantemente com baiões, sambas e xaxados”.
Não é de todo mentira. Quem procurar, entretanto, vai encontrar boas referências. É o que fizeram os caras da Macaco Bambo .

Vida e Obra de Johnny Mccartney [de Leno], os homônimos do Flying Banana e A Barca do Sol, Planeta Lamma [Damião Esperiença], Murituri [Arnaud Rodrigues] e Snegs [Som Nosso de Cada Dia].
![]() Numa época de misturas, o Módulo 1000 fazia progressivo e pesado que não devia nada a ninguém. |
![]() O autêntico samba do roqueiro doidão. Marconi Notaro coloca psicodelia nos ritmos populares. |

Um Sá, Rodrix e Guarabira mais nordestino. O Fazenda Modelo é rock rural dos bons.




Ha muito tempo procuro saber mais sobre o Fazenda Modelo sem muito sucesso.Eu amava esse disco Terra Boa mas nao sei one posso encontra-lo.